08/11/09

Fernando Maurício - Boa noite solidão


Boa noite solidão
Vi entrar pla janela
Teu corpo de negrura

Quero dar-te a minha mão
Como a chama duma vela
Dá a mão à noite escura

Os teus dedos solidão
Despenteiam a saudade
Que ficou no lugar dela

Espalhas saudade plo chão
E contra a minha vontade
Lembras-me a vida com ela

Só tu sabes solidão
A angustia que trás a dor
Quando o amor a gente nega

Como quem perde a razão
Afogando o nosso amor
No orgulho que nos cega

Com o coração na mão
Vou pedir-te sem fingir
Que não me fales mais dela

Boa noite solidão
Agora quero dormir
Porque vou sonhar com ela

1 comentário:

zeca disse...

Fernando Maurício.
Aí está ele. O pintas. O atrevido. O cantador na noite. Daqueles a quem se grita; "Ah, fadista."
Um de entre muitos fadistas filhos do povo. De pouco ou reduzido reconhecimento a nível nacional, contrariamente a outros que ostentam nomes nobres ou clericais. Fadista popular no cantar e no viver. Habitante das horas mortas de Alfama e Mouraria. Por vezes mal servido de músicas ou de letras. Mas sempre genuino. Irmão da noite e das guitarras. Militante no fado. Vadio na solidão.

Boa noite, Fernando!