21/11/09
20/11/09
19/11/09
Der Mann ist verrückt
Show Off
I just want to shout in silence
Do you hear my mouth shut?
I just want to shout in silence
To show off.
I am dancing like a stone.
Do you see me rock?
Rocks dance to show off.
To show off nothing in particular.
Nothing in particular
Particles of nothingness
I am nothing
Just to show off
I want to sing no song.
And singing this contradictions
Makes me remember
I want nothing at all.
Do you see me disappearing?
A tiny dot in your memory.
Do you see me disappearing?
Forgetting into nothingness.
Just to show off
Nothing in particular.”
Poema de Patrícia Caldeira
Do you hear my mouth shut?
I just want to shout in silence
To show off.
I am dancing like a stone.
Do you see me rock?
Rocks dance to show off.
To show off nothing in particular.
Nothing in particular
Particles of nothingness
I am nothing
Just to show off
I want to sing no song.
And singing this contradictions
Makes me remember
I want nothing at all.
Do you see me disappearing?
A tiny dot in your memory.
Do you see me disappearing?
Forgetting into nothingness.
Just to show off
Nothing in particular.”
Poema de Patrícia Caldeira
16/11/09
E a mulher teve morte quase instântanea

Teatro Maria Matos
sábado 14 a terça 17 Novembro
21h30 Sala Principal
12€ / <30 anos 5€
Lúcia Sigalho
Morreu uma mulher às 9h da manhã à porta do infantário onde ia deixar o seu filho de 6 anos. Foi morta a tiro pelo seu ex-marido. “A mulher teve morte quase instantânea”, publicou a imprensa. Ela passou a ser “a mulher” morta. E a memória, a memória dela, passou a ser nada. Todas as semanas há uma mulher morta por um homem que é, foi ou pretendia ser seu namorado, seu marido, seu amante.
15/11/09
Gota d'água - Chico Buarque
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
14/11/09
12/11/09
Direitos dos Animais
A gata da minha vizinha caiu do 4º andar.
Tem uma pata e o queixo partido.
Todo o processo de salvamento foi lento e complicado.
As associações/serviços não estão preparadas para estas situações.
Poucos querem saber se os animais estão feridos, se precisam de ajuda de imediato.
Os animais não têm direitos.
Etiquetas:
Grafitti Stencil e Papel de parede
11/11/09
O mundo não me tocara e fecundara em vão
Comecei a escrever com determinação aos trinta anos, quando corria o bairro des Abbesses, em Paris, para meter-me nalguma casa que tivesse a porta aberta, e ir dormir na retrete. Explico: em Paris, os três filhos de Deus debatiam-se com o árduo problema da dormida. Éramos um português e dois espanhóis, desaparecidos um dia de suas casas, das pátrias, e encontrados no acaso de vadiagens e bebedeiras. Tínhamos assuntos religiosos comuns. Para dormir, havia acidentais quartos de amigos, a entrada do metropolitano e, no bom tempo, as pontes do rio. Mas eu precisava de solidão e conforto (era a obra que, secretamente, se desenvolvia em mim) – e tomei como minha uma ideia que circulava pela cidade. Era possível dormir nas retretes, nas retretes privadas, nas retretes das casas das outras pessoas! A ideia abalou-me tanto que andei confuso e comovido durante dias. Fui ao ponto de escrever um poema inteiramente inspirado nela. Eu e os meus amigos, poucas semanas passadas sobre o início desta nova vida surpreendente, tínhamos já uma lista de cento e vinte e dois prédios onde devíamos tentar a entrada. Simples: estudávamos as portas de determinado bairro residencial, a ver se poderiam ser abertas de um modo qualquer, ou se as deixavam abertas. Chegava a hora do sono alheio, cada um subia até à sua retrete. Uma ascensão! Talvez Deus estivesse lá em cima à nossa espera. Claro que só escolhíamos edifícios antigos, com sentina de patamar para uso comum dos inquilinos. Acendia a luz, instalava-me fechado por dentro, e pensava ou lia, ou escrevia às vezes. Nunca a solidão foi para mim tão fértil. Se alguma pessoa vinha à retrete a meio da noite, eu puxava o autoclismo e saía como inquilino também, natural, desenvolto nos meus direitos. Defecação democrática, por ludíbrio, no seio da grande família burguesa. No dia seguinte reuníamo-nos os três, os filhos de Deus, para falar das nossas aspirações e meditações, da inspiradora solidão nocturna.
Foi assim que me pus a escrever - enquanto esperava a oportunidade de entrar numa casa (numa retrete, digo) ou quando, já nela, começava a pensar, a investigar, a decifrar, entregue e defendido na retrete, na profundidade que eu mesmo transportara ao longo dos anos, mal aflorada por instantes e agora enfim oferecida. O mundo não me tocara e fecundara em vão.
Objectos


No autocarro observava uma adolescente a utilizar frenéticamente o telemóvel.
Mandava mensagens, atendia chamadas, voltava às mensagens, recebia chamadas.
- Sim, vou ter contigo, mas tenho que passar em casa. Não, eu quero ir, mas tenho mesmo que passar em casa. Não, eu nem preciso de levar roupa, mas tenho mesmo que ir buscar o carregador.
10/11/09
A gente vai continuar
Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Jorge Palma
09/11/09
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